Fonte - Juliana Eliasda CNN
O aumento da faixa de isenção do imposto de renda (IR) anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não recompõe completamente a inflação acumulada ao longo de todo o período em que a tabela está sem reajuste.
O valor proposto ainda está cerca de 10% abaixo do que deveria caso cobrisse completamente o poder de compra perdido nesse tempo.
As faixas de renda que definem quanto cada trabalhador terá de desconto de IR estão congelados há oito anos, no mais longo período sem correção desde pelo menos 2006, de acordo com dados da Receita Federal.
A última vez que a tabela foi reajustada foi em abril de 2015, ainda no governo de Dilma Rousseff. Desde então, estão isentos de IR todos que ganham até R$ 1.903,98.
Em entrevista à âncora da CNN Daniela Lima na semana passada, Lula confirmou que vai aumentar esse piso, uma de suas promessas de campanha, para R$ 2.640. A nova faixa passará a valer em 1º de maio.
A correção significa um aumento de 38,7%. Desde o último reajuste, porém, em 2015, a inflação acumulada até aqui é de 55,19%.
Se recompusesse todo o aumento dos preços do período, o recorte para a isenção do IR deveria estar em quase R$ 3.000 – o número preciso seria de R$ 2.954,69. Os R$ 2.640 concedidos estão R$ 314,69, ou 10,7% abaixo disso.
A comparação leva em consideração a inflação calculada pelo INPC, o Índice Nacional de Preço ao Consumidor, até janeiro de 2023, dado mais recente. O indicador, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o mesmo usado corrigir salários a aposentadorias.